VERTIKÁLIX: o rolo ambulante
O Verticalix é um objeto prático que funciona com um sistema de rolo, composto por dois tubos nas extremidades, nos quais se instala um papel de onze centímetros de largura. O papel é enrolado em um dos tubos, enquanto sua outra extremidade é fixada como início; o sistema opera de maneira semelhante ao mecanismo de uma câmera fotográfica analógica.
Para sustentá-lo, o design incorpora, na parte posterior, um espaço onde os dedos podem se estender ou retrair, permitindo o encaixe da mão como uma “luva” (como se vê na foto da capa), integrando-se à gestualidade do caminhante. Dessa forma, uma das mãos permanece livre para desenhar-escrever ou avançar-re-bobinar o rolo, enquanto a outra o sustenta.
Mais do que uma ferramenta técnica, o Verticalix configura-se como uma interface entre corpo e território, mediada pela paisagem e pela expressão. Em sua elaboração conceitual, aproxima-se da perspectiva proposta por Giorgio Agamben (2014, p. 18), segundo a qual o “dispositivo” é aquilo que possui a capacidade de capturar, orientar e interceptar gestos, relações e discursos dos seres viventes. Nesse sentido, o Verticalix busca atuar como mediador do contexto, funcionando como dispositivo de subjetivação do ato de caminhar, seja ele individual ou coletivo; procura democratizar a leitura do espaço, abrindo vínculos entre a universidade e a sociedade.
O Verticalix acompanha o caminhar e permite a criação de uma representação gráfica, estabelecendo uma relação sensível entre o ser humano e o meio — o que Augustin Berque denomina “pensamento paisageiro” (pensée paysagère). Para ele, “a paisagem não está num olhar sobre os objetos, ela está na realidade das coisas, isto é, na relação que temos com o nosso meio ambiente” (BERQUE, 2023, p. 62).
Nesse sentido, segundo Juliasz e Bassani, a paisagem é compreendida como uma dimensão do território, aquela sensível e significativa. Portanto, é por meio da paisagem que o território se torna sensível (JULIASZ; BASSANI, 2023). O dispositivo busca contribuir na observação e no levantamento de dados sensíveis para a compreensão das diferentes relações das pessoas com o espaço.
Nessa representação gráfica que surge entre corpo e espaço por meio do caminhar, o gesto em movimento dá origem a uma narrativa visual, uma construção gráfica em que tempo, sujeito e paisagem se entrelaçam. Cada percurso se transforma em registro contínuo: um rolo com fragmentos gráficos daquilo que capta a atenção do transeunte. As linhas desenhadas não são meros rabiscos, mas vestígios da vivência. Como afirma Tim Ingold: “As linhas não são meras marcas, mas vestígios de movimento, caminhos percorridos ou desenhados; são as trajetórias vividas do corpo no mundo” (INGOLD, 2007, p. 7).
As próximas páginas deste manual apresentam orientações para construir o Verticalix e produzir seus rolos. Junto a essas informações, também se inclui uma proposta para realizar uma oficina em alguma praça da cidade, em articulação com uma comunidade local, com o objetivo de impulsionar o uso coletivo e ativar o debate em torno da cidade percebida nas práticas cotidianas, tal como propõe Lefebvre (1991).

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Proposta de Ação
Para explorar as possibilidades do Verticalix e seu uso com diferentes caminhantes, tanto de forma individual quanto coletiva, propõe-se realizar uma atividade em alguma das praças do centro de São Paulo, articulando-se, por exemplo, com as ações do projeto Travessias das escolas do centro de São Paulo, ou com alguns dos festivais vinculados às atividades acadêmicas com as quais trabalho junto ao grupo de pesquisa e extensão universitaria, GeMap da FAU - USP.
Para essas atividades, produz três cartazes que nos ajudão a explicar a dinâmica de caminhar e desenhar com os Verticalix, e para fazer o convite de andar, olhar e desenhar. São cartazes escritos com carimbo e depois recortados, pensados para funcionar como lambe-lambe, podendo ser pintados sobre diferentes suportes: pode ser um tecido, como um estandarte, ou diretamente na calçada ou nas ruas da cidade para uma aula no espacio publico.
Cartazes
O primeiro cartaz reúne palavras relacionadas ao caminhar, observar e desenhar:
CAMINHAR – OLHAR – DESENHAR – RISCO – RABISCO
O segundo cartaz aborda o tema de recolher e agrupar olhares sobre a cidade:
COLETO OLHARES DA CIDADE
O terceiro cartaz fala da praça e do caminhante:
O QUE A PRAÇA DIZ ENQUANTO PASSA?







